Bill Lundberg

Texto: Alberto Saraiva e Ivair Reinaldim

Bill Lundberg, em retrospecto
Não é sempre que se pode desfrutar da oportunidade de presenciar/vivenciar uma retrospectiva de artista, ter contato com trabalhos produzidos em diferentes momentos, com especificidades e interesses localizados, é certo, mas que supostamente também poderiam, em conjunto, explicitar indícios, sugestões, tentativas de construção de um ou mais fios condutores capazes de representar tanto essa trajetória peculiar quanto o universo poético comum à produção desse artista.
No caso de Bill Lundberg, é a oportunidade que nós, brasileiros, temos para entrar em contato com um corpus expressivo de trabalhos, muitos deles exibidos pela primeira vez no País. No recorte aqui proposto insinua-se não só o uso instalativo/escultórico que o artista dá ao vídeo/filme, optando quase exclusivamente pela imagem projetada, espacializada, mas igualmente a abordagem de aspectos intrínsecos à natureza e condição humanas, que as situações contextuais expressas em seus trabalhos, de modo geral, procuram despertar no espectador.
Se o aspecto seminal dado à espacialização da imagem no universo poético do artista pode ser rapidamente identificado, é inegável que o fator tempo, essencial para as pesquisas de imagem em movimento, adquire feições próprias nesses trabalhos. Isso porque, neles, o tempo não é evidenciado apenas pela literalidade da sequência fílmica (imagem+som), pelo desenrolar da projeção em si: é tempo subjetivado, próprio da relação que construímos com aquilo que nos é apresentado, com aquilo que ocorre diante de nossos sentidos, seja na sala de exibição/projeção, seja nas conexões cotidianas estabelecidas com o mundo.
“Impregnar com vida a imagem enquadrada”, eis, nas palavras de Bill Lundberg, o desejo que compartilha com tantos outros artistas, em tantas e diversas épocas. São trabalhos que nascem na fronteira entre ficção e realidade, na linha sutil que se funda entre a compreensão de que a realidade se torna matéria para a ficção, tanto quanto a ficção constrói nossa percepção da realidade. Nessa fronteira, onde a ilusão é elemento primordial à representação, o artista investiga o modo como as imagens técnicas podem condicionar ou potencializar nossa percepção do mundo, do outro e de nós mesmos.
Por fim, torna-se tentador esboçar paralelos entre trabalhos criados no contexto internacional das primeiras proposições artísticas no campo da videoarte e da videoinstalação, cujo papel desempenhado por artistas da cena norte-americana é de grande importância, e a produção brasileira paralela, assim como as possíveis aproximações (ou dissensões) que poderiam ser evidenciadas entre ambas, a partir do momento que somos estimulados, talvez, pelo livre trânsito de Bill Lundberg entre Estados Unidos e Brasil nas últimas décadas. Algo que uma retrospectiva como esta pode suscitar!

 

créditos da exposição

Curadoria: Alberto Saraiva e Ivair Reinaldin
Coordenação geral: Nelson Ricardo Martins
Produção executiva: Lisiane Mutti
Designer: Lu Martins
Arquitetura: Ricardo Azevedo
Produção: Dani Vieira
Assistência de produção: Monique Anny
Consultoria de projeção: Alexandre Bastos – Nova Mídia Equipamentos
Consultora de TI: Renata Barros
Supervisão de edição e finalização - Célia Freitas
Assessoria de imprensa: Júnia Azevedo e Marco Reis
Fotografia abertura: Viviane D´ávilla
Câmera e edição entrevista hall: Manu
Cenotécnica: Claquete  Cenários
Iluminação: Carlos Lafert
Montagem: Jorge Pinheiro
Monitoria: Caroline Nobre, Marcos Leonardo, Nubia Lyn

 

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