O livro de Xico Chaves, o mesmo Chico Bastos, uma biografia à luz de sua obra que se descobriu artista e reformista em Uberaba, não é apenas para se ler, mas também para se ver, olhar e pensar. Pensar sobre um grande universo da cultura permeado pela arte politicamente engajada que o tempo desengajou para alcançar as novas dimensões da sociedade moderna.  O livro se divide e se explica nos anos de juventude em Uberaba, com suas primeiras experiências, onde na casa da Tia Geni Chaves, Delegada de Ensino em Uberaba, fez da poesia de Cassiano Ricardo as suas primeiras lições, a inspiração épica; nos anos da Universidade de Brasília, onde foi tomado pela militância política, tendo convivido, na Polop com a própria Presidente da República, Dilma Roussef, a facção marxista que ensinou a repensar o revisionismo soviético e que lhe valeu as prisões, a mesma prisão que sofreu no Presídio Tiradentes, de onde saiu abraçado pela mãe Stella Chaves Bastos (ver p. 74/75), a professora tão querida e prestigiada em Uberaba e em Minas Gerais, onde um grupo escolar leva seu nome e, no exílio no Chile, onde trabalhou como fotógrafo e reconheceu a tragédia da derrocada política, tendo atravessado, no retorno, os Andes, após a queda do Presidente Allende, para não esquecer jamais as divisas entre o céu, a terra e as visões do mar longínquo.  Por fim, numa última passagem por Brasília, onde se formou, marcou a sua inspiração artística quando alertou o Brasil para os momentos finais da abertura democrática, numa percepção mais forte que a história, colocando na Deusa da Justiça, em frente ao Supremo Tribunal, substituindo a sua venda, herdada da mitologia, por olhos que lhe permitia alcançar a alvorada da Democracia. Os anos de vida no Rio de Janeiro, de tantas fases que marcaram o seu encontro com a arte engajada, não pela luta política, mas pela proposta inovadora que evolui da poesia na forma rebelada da pintura o livro é nas últimas páginas um catálogo de toda a sua obra, de toda a sua vocação de provocar a convivência metabólica entre a terra e suas luas dos seus espaços coloridos de deslumbramento fantástico.  Finalmente, o Xico, o agente cultural, e seu Diretor, da mais expressiva agência artística do Brasil – a FUNARTE, de onde tem e vem programando encontros no Brasil com o próprio Brasil.   

 

Aurélio Wander  Bastos

Os Olhos da Deusa 

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