RELATÓRIO DE EXECUÇÃO - ARTE NA RUÍNA

Por Cleilson Alves

 

Há menos de 100 metros da Casa de Chico Mendes, um grupo de jovens faz arte dentro das ruínas de uma cadeia velha e abandonada, tendo como teto as brilhantes estrelas do céu. Tais artistas realizam oficinas de teatro, dança, música, artes plásticas e circo, a jovens de baixa renda do município de Xapuri e arredores, fazendo uma montagem de espetáculo que envolve cerca de 30 participantes nas diferentes artes citadas.

O grupo surgiu após serem proibidos de apresentar em diversos espaços públicos. E, como seu ídolo Chico Mendes, não se deixaram abater e começaram a se unir e fazer uma intervenção artística nas ruínas de Xapuri.

 

Mais sobre ‘Arte na Ruína’

O Arte na Ruína é a forma que os artistas encontram de mostrar que é possível fazer diferente, não importando o local onde estão ou o espaço que irão utilizar.

É a maneira de quebrar os antigos padrões tradicionais, revertendo as ideias preconceituosas de muitos gestores que impedem que artistas apresentem em espaços públicos – mostrando que nem sempre dão valor ao que é local, que pertence à nossa identidade cultural.

Ela foi criada a partir da necessidade de utilizar espaços públicos e a proibição pelos gestores locais. Como não tínhamos muitos lugares para apresentar resolvemos marcar reuniões e nos juntar com outros artistas, fazendo um intercâmbio de arte e nos unindo. O espaço escolhido para fazer tal intervenção foi uma delegacia velha e abandonada, que nem teto tinha, a não ser as estrelas do céu brilhante de Xapuri, à noite.

Todos se juntaram e resolvemos fazer uma intervenção juntos. Logo em seguida fizemos algumas oficinas, que atraiu muitas pessoas. Começamos a observar que somos capazes de ir muito além. Nos reunimos novamente e traçamos uma estratégia para melhorar ainda mais nosso trabalho: com oficinas de dança, teatro, música, artes plásticas e circo.

As oficinas começaram a ser cada dia mais constantes, se tornando semanais – e por uma época até mesmo diárias – com lanches para os envolvidos. Logo tínhamos mais alunos do que podíamos dar conta.

A iniciativa rendeu um espetáculo, contando um pouco de nossa história e da história do local (as ruínas que traziam a arte dos jovens de Xapuri). O documentário (curta-metragem de 15 minutos) foi executado em 2008, pelo programa Revelando os Brasis, do Ministério da Cultura, sob patrocínio da Petrobrás e teve o título, também, de Arte na Ruína.

Hoje o trabalho encontra sérias dificuldades de se manter, pois não recebe nenhum apoio no momento e por isso mesmo estamos tentando buscar recursos que permitam tal continuidade.

 

Sobre a execução do projeto

Dia da ação: 12/08/2013

Local: Em frente do Museu do Xapury – Em Xapuri/AC

Horário: 17h

 

Mobilização da equipe

Fizemos um breve seleção dentre nossos artistas, dando preferência aqueles que mais se identificavam com a performance e os que se voluntariavam, dentre os vários talentos da Cia. Arte na Ruína. Assim, executamos em Xapuri, no Estado do Acre, terra de nosso ícone Chico Mendes, sede da Companhia, a performance “Arte na Ruína”. Tal apresentação inclui um pouco do que costumamos fazer em nossos outros espetáculos: passos (dança) de rituais indígenas; movimentos de capoeira; pirofagia; teatro; e pintores (artista plástico).

 

Dificuldade

Pretendíamos fazer a ação na praça principal de Xapuri, mas não daria para usar o som, por falta de tomadas para fazer a ligação da caixa de som. Então decidimos fazer na Rua Coronel Brandão, em frente ao prédio mais visitado da cidade, Museu do Xapury (museu que conta e mostra todos a história da criação da cidade, desde a Revolução Acreana, passando pela história de vida e morte de Chico Mendes, a luta dos povos da floresta, os índios, até os dias atuais). Pedimos a prefeitura e a polícia Militar, para fechar a rua, mas devido o horário, não seria possível, porque era o horário de maior fluxo de carros e motos. Então pedimos autorização da coordenação do Museu para fazer a ação na calçada, em frente ao prédio, do lado da rua que queríamos apresentar.

 

Público

Como de costume, e parceiros fieis da cultura xapuriense, mobilizamos as escolas. Próximo ao local da apresentação, fica uma escola estadual, e convidamos para participar. Foram 3 turmas de alunos, de faixa etária de 13 a 16 anos de idade, na recusaram e foram assistir nossa ação, totalizando cerca de 100 pesoas. Visivelmente interessados na ação, comentários e elogios foram ouvidos durante toda a performance. Além das pessoas que iam passando na rua, param para verificar o que se passava naquela calçada.

 

Descrição da apresentação

Na floresta da região amazônica, vivia uma tribo chamada Chapurys. Em ampla floresta, rica em fauna e flora, onde extraía todo o alimento da tribo, eles dançavam e se divertiam em seus rituais. Certo dia, seu território (seu lar) foi invadido por exploradores, em interesse de extrair as riquezas naturais daquela região. Onde houve a matança e expulsões, até que anos a frente, surge líderes/guerreiros, para lutar pela defesa dos povos da floresta. Surge Chico Mendes, onde lutou, organizou todo o movimento que mais tarde deu sua vida pelos povos da floresta. Atores, dançarinos, capoeiristas e artistas plásticos, fizeram essa ação em movimentos corporais: passos de rituais indígenas, representando a alegria que eles tinham de viver naquela floresta, que de repente é ameaçado por explorados, que através de uma pirofagista, que entra na ação assoprando fogo, encenando a matança e expulsão dos indígenas... Através dos movimentos da capoeira, se entende que surgiram líderes que lutam pelos povos da floresta. Que através da morte de Chico Mendes, o artista plástico desenha no corpo de uma criança, o símbolo da luta, o corte da seringueira, e esse ano, 25 anos sem Chico Mendes, a floresta ressuscita através daquele que deu a vida pelos povos da floresta.

 

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